Conhecer ele foi algo surpreendente e avassalador na
minha vida. Não tinha a mínima ideia de que algo dessa natureza, intensidade e
magnitude, pudesse acontecer. Avassalador porque mudou meu mundo. Virou de
ponta cabeça, fazendo com que a minha vida até ali vivida, parecesse ter sido
de outra pessoa e que só mesmo agora comecei a viver a minha verdadeira
história. Aquela que a vida tinha reservado pra mim.
Mas antes tenho que falar de como as nossas vidas se
cruzaram. Eu estava em busca de uma aventura, algo apenas de uma noite. Algo
até certo ponto, vazio de sentimentos. Ele cruzou o meu caminho, primeiro no
mundo virtual, sendo o primeiro a me perceber ali. Era o destino nos unindo,
nos colocando no caminho um do outro, mas ainda deixando que nós tomássemos
nossas escolhas, nossas decisões.
Foi em 24 de outubro que minha vida iria começar a mudar.
Conversamos, sem sequer termos vistos o rosto um do outro. Fomos conhecendo
primeiro nossas mentes (acho que talvez por isso, seja tão profundo esses
sentimentos que eu carrego comigo). Também tenho que confessar, que se naquele
exato momento, eu não quisesse apenas a realização de uma fantasia, de uma
vontade, eu não teria me interessado por ele. Eu sempre me mantive afastada de
pessoas com a condição como a dele. Nunca busquei alguém que já estivesse em um
relacionamento. Nunca quis atrapalhar duas pessoas que estavam juntas. Mas
naquela oportunidade, eu também tinha uma outra pessoa na minha vida. Por isso
não liguei para o fato dele ser comprometido.
Eu já tinha conversado com outras pessoas antes, mas com
ele foi diferente. Desde o primeiro instante senti algo mas ainda não sabia ao
certo o que era...
Na ocasião, eu imaginava ser excitação por conta da real
possibilidade de realização de uma fantasia minha – sexo com dois homens.
Nos cruzamos numa terça-feira a noite e já tínhamos
combinado, entre eu e ele, de nos encontrar na quinta-feira seguinte. Eu tinha
reais intenções de concretizar nosso encontro. Sei que ele também.
Ele é um dominador e eu tive a impressão de que ele me
sentiu como fêmea dele, por isso nós dois fomos, de forma tão contundente e
intensa, primeiramente simpatizar um com o outro, bem como sentir uma forte
atração.
Eu sempre tive curiosidade de conhecer o mundo dele, de
me submeter à vontade de um homem decidido daquilo que deseja e que não pede
para ninguém, vai lá e pega o que é dele, sem pedir licença pra ninguém.
Somente no outro dia, recebi uma foto dele e ele a minha.
Lembro que meus olhos gostaram muito de vê-lo. Me peguei olhando fixamente para
seus olhos, sua boca, imaginando sua barba roçando em meu corpo. Sim, tinha uma
forte tensão entre nós, que fazia eu ficar excitada ao ler as coisas que ele
escrevia. Sim, me atraiu o fato dele ser um dominador. Isso mexia com a minha
cabeça de uma maneira muito forte e intensa. O fato dele ser um homem, que
sabia o que queria, e como queria, me deixava muito a vontade.
Ele não teve receio de me mostrar esse seu lado e eu, por
minha vez, ficava cada vez mais interessada. Esse interesse veio num crescente,
mas de forma rápida e incisiva. Tal qual um corte, que acontece rapidamente,
mas vamos percebendo ele aos poucos. Sinto que foi assim comigo.
Infelizmente (ou felizmente) não houve essa mesma
sintonia entre ele e meu antigo companheiro à época, que mesmo sabendo que eu
tinha gostado dele e que eu estava muito interessada, e que até já tinha
acertado nosso encontro, não demonstrou interesse em interagir com o meu eleito
para realizar nossa fantasia. Sim, nossa, porque foi ele quem me propôs e pediu
para que eu procurasse alguém, para que eu decidisse.
Acabou que nós não nos encontramos. E o pior de tudo foi
eu ter que dizer que teríamos que remarcar. Fiz isso porque ninguém deve ser
enganado e ficar esperando alguém que sabidamente não aparecerá. Mas fiz isso
com um sentimento de perda dentro de mim. Inicialmente achei que fosse
relacionado à perda da oportunidade de algo realmente muito bom. Logo eu
descobriria que não se tratava exatamente disso.
Mas a negativa do nosso encontro abriu caminho para ele
me fazer uma proposta que iria mudar a minha vida de uma maneira que eu não
tinha como imaginar.
Me perguntou se eu queria conhecer o mundo dele. Ter uma
sessão de degustação.
Todos os poros do meu corpo gritavam que sim, mas eu tinha
ainda algumas questões para resolver dentro de mim, antes de aceitar a sua
proposta.
Fiquei um certo tempo, praticamente em silencio com ele.
Mas não parava de pensar na proposta que ele havia me feito.
A partir desse momento, comecei a ler muito sobre o tema.
Buscava informação de forma alucinada. Eu parecia estar devorando tudo o que eu
encontrava pela frente.
No dia 4 de novembro finalmente eu me enchi de coragem e
chamei por ele. Eu estava decida a conhece-lo, mas confesso que pensei nele
como uma aventura, como uma loucura em minha vida. O que não deixa de ser
verdade, pois sinto a adrenalina que acompanha os momentos de aventura, toda
vez que fico perto dele ou falamos.
Mas eu, ingênua, pensava que seria apenas uma vez. Que eu
estaria apenas matando uma curiosidade minha.
Conversei muito com ele sobre o que eu achava que
gostava, o que podia e o que não podia. Mas eu iria levar uma rasteira da vida
logo ali na frente, mas no melhor sentido da coisa. Uma rasteira para quebrar a
cara e descobrir que eu não sabia exatamente quais eram as coisas que eu
gostava. Descobriria que esse homem, que
a vida pôs no meu caminho ia me mostrar que conhecia-me melhor do que eu a mim
mesma. Que ele levaria pouco tempo para me decifrar. Algo que eu mesma não
havia conseguido perceber ainda. Ele, me decifrando, ajuda a que eu me perceba
como eu realmente sou. O meu eu mais escondido, inclusive de mim mesma, mas tão
evidente para ele.
Eis que minha essência começa a aflorar e toma conta de
mim, e aquilo que era apenas curiosidade minha, toma conta do meu ser de forma
a me transformar, aos poucos, em uma mulher realmente completa e plena.
Descobri também que não seria com dois homens me preenchendo ao mesmo tempo,
que eu me sentiria assim, preenchida de verdade e não apenas fisicamente.
Desde minha decisão de encontra-lo, começamos a falar
todos os dias. Isso fez com que a minha vontade fosse cada vez mais aumentando,
mas, acreditava eu, que era por conta da curiosidade.
Ele já começou a me tratar como sua propriedade a partir
do momento em que marcamos nosso encontro. E toda a vez que ele dizia (e ainda
diz) que sou sua, minhas pernas tremem e meu coração acelera, fazendo minha
respiração ficar mais profunda.
E eu comecei a chama-lo de Senhor. Confesso que no início
encarei como parte de uma brincadeira. Como se estivesse sendo outra pessoa. Eu
estava muito excitada com tudo aquilo. Com a ideia dele decidir o que iria
acontecer e de que forma. Em muitas de nossas conversas, ele me perguntava do
que eu gostava e do que eu não gostava. Já começava a me dar algumas instruções
de como eu deveria me portar.
Na noite à véspera do nosso encontro, eu estava
trabalhando, de plantão. Lembro-me de ter pensado sobre nosso encontro sempre
que tinha um tempinho, entre um atendimento e outro. Quando fui para o meu
intervalo, ficava pensando no que eu iria usar para vê-lo, pois ele pediu para
que eu o surpreendesse. Ao invés de dormir, ficava relendo nossas conversas e a
vontade só aumentava. Descansei muito pouco aquela noite. Hoje eu penso que
poderia ter proposto um outro dia para encontrar ele. Um dia em que eu não
estivesse pós plantão, mas a curiosidade e a vontade de conhece-lo eram muito
mais fortes do que qualquer possibilidade de cansaço do meu corpo.
Na manhã que antevia nosso encontro, ele me pediu uma
foto. Mandei para ele um gif da minha boca e ele mencionou que iria gostar de
beija-la. Foi ai que dei motivo para ele me mostrar que era ele quem
estava no comando. Respondi para ele que eu contava com isso. Claro, que
naquele momento, só ele sabia quais eram os seus planos para mim. Consigo até
visualizar o sorriso dele quando eu respondi que contava com o seu beijo.
Fiquei muito ansiosa com nosso encontro. Seria algo novo
e diferente. Lembro que vesti muitas roupas, até finalmente decidir qual iria
usar.
Eu estava indo sozinha conhecer um desconhecido. E o mais
estranho, era que o sentimento de medo sequer passou pela minha mente. A não
ser o medo dele, ao me ver pessoalmente, não gostasse de mim ou ficasse
desapontado com algo.
Eu não tinha ideia de onde nos encontraríamos. Só de onde
eu deveria estar e do horário. Também não tinha ideia para onde iríamos. E eu,
sempre, fui muito precavida com isso. Sempre tive uma amiga sabendo exatamente
onde eu estaria e em que horário eu deveria contatar com ela. Agi sem
racionalizar as coisas. Na época, não me dei conta de tal situação.
Vários sentimentos tomaram conta de mim naquela tarde,
que antecipava nosso encontro. Tinha a excitação por finalmente conhecer o
mundo BDSM e ter uma experiência concreta. Sempre gostei de assistir vídeos com
algumas das práticas. Isso sem falar das fotografias. Acho algumas de uma
beleza fora do comum. Aquelas imagens que quando vemos nos despertam
sentimentos dos mais variados e de uma forma tão bela.
Fiquei ansiosa pelo encontro. Não sabia o que esperar.
Tudo era tão misterioso. Mas apenas encarei essa ansiedade como parte
integrante de algo curioso e diferente. Mal sabia eu que aquela noite ficaria
marcada para sempre na minha vida. Seria meu divisor de águas.
Lembro que era uma tarde quente, mas escolhi ir ao
encontro dele com uma roupa de manga comprida. Eu queria revelar minha real
vestimenta para ele, somente quando estivéssemos a sós. Coloquei uma meia
arrastão que eu já tinha, mas nunca havia usado com ninguém até aquele momento.
A não ser pelo fato de experimenta-la uma vez para fazer algumas fotografias
com ela. Na verdade, foi exatamente esta a primeira imagem minha que ele viu,
quando nos cruzamos pela primeira vez. Acabei decidindo por ela, justamente por
esse motivo. Contudo, fiz uma adaptação nessa meia. Fiz um corte no meio das
pernas, porque eu imaginava que ele quisesse manter a meia e assim eu estaria
garantindo um acesso fácil à diversão.
Tomei um banho mais demorado que o de costume. Me tocava
e aproveitava cada segundo daquele momento. Segui com o meu “ritual” habitual.
Sempre gosto de estar cheirosa e perfumada, e naquela situação não poderia ser
diferente.
Quando eu estava pronta para sair, toda arrumada. Resolvi
tirar uma fotografia minha para eternizar aquele momento, capturar o sentimento
que estava contido em mim. Publiquei essa imagem em minha rede social. Recebi
diversas curtidas e comentários. Recordo que uma amiga escreveu que eu estava
luminosa. Realmente me sentia assim, acessa por dentro.
Parti ao seu encontro. Ele me mandou ligar para ele
exatamente as 19h30, no local onde tínhamos marcado. Cheguei com uns 25 minutos
de antecedência. Não queria arriscar de me atrasar. Fiquei dando voltas e isso
fazia a minha ansiedade aumentar ainda mais. Ainda não tínhamos nos falado. Não
conhecíamos a voz um do outro. Quando chegou o horário combinado, liguei para
ele e ouvi uma voz forte e ele, de forma muito objetiva, me disse o que fazer
para encontra-lo. Segui suas instruções e a cada passo que eu dava, a expectativa
e a ansiedade se apossavam ainda mais do meu corpo.
Seu carro parou na minha frente e eu embarquei,
literalmente, por um caminho novo e desconhecido. Deixei ele me guiar.
Chegamos no motel e ele me ordenou que eu fechasse a
garagem e depois abrisse a porta para ele. Aqui eu tenho que confessar que não
gostei nenhum pouco dessa ordem dele. Eu nunca exigi que ninguém fizesse isso
para mim. Achei um absurdo, mas me mantive firme no propósito de conhecer e me
manter de mente aberta para curtir o momento a dois. Mas cheguei a pensar ali,
que não seria legal e que eu não iria curtir aquela noite. Tive fortes dúvidas
e pensei “começou mal”.
Subimos as escadas e eu fui ao banheiro. Me arrumei da
forma como eu queria que ele me visse. Sai... e a primeira coisa que ele fez
foi olhar no fundo do meu olho e me dizer sobre as safewords. Já comecei a
sentir algo diferente ali, naquele olhar profundo dele e a forma como ele falou
comigo. Estava disposta a me entregar àquele momento e fiz tudo como ele me
mandava.
Quando ele deu voltas em mim, me observando e eu senti
sua respiração, comecei a experimentar sensações que nunca vivenciei, mas ainda
não sabia o que eu estava sentindo. Era um turbilhão de sentimentos, mas só
conseguia identificar o sentimento de culpa naquela hora, pois eu estava
traindo uma pessoa pela primeira vez na minha vida.
Aos poucos os sentimentos, todos confusos, foram indo
embora um à um. Eu senti uma forte confiança nele, o que fez com que eu ficasse
mais a vontade e finalmente me entregasse completamente aos seus comandos,
parando de tentar racionalizar qualquer sentimento que viesse a surgir. Até o
sentimento de culpa sumiu e eu estava ali com ele, naquele quarto, sem a
presença de mais ninguém na minha cabeça. Éramos só nós dois.
Contudo, algo fora do comum e inesperado demais iria
acontecer. Ele me deitou na cama. Me prendeu as mãos e começou a chupar meus
dedos. Senti algo que precedia uma coisa muito maior, culminando no exato
momento em que ele falou ao meu ouvido “Tu é minha!”. Isso ecoou dentro de mim,
fazendo cada fibra do meu corpo vibrar, até que atingiu alguma coisa bem lá no
fundo do meu corpo e da minha alma. Foi nesse instante que algo adormecido
despertou em mim.
Foi ai que ele começou seu poder sobre mim. Foi nesse
momento que nasceu o meu Senhor e também nasceu a sua submissa. Mas eu ainda
não tinha consciência disso.
Eu estava com a minha boca muito seca. De uma maneira que
eu nunca tinha experimentado antes. O mais estranho era que não estava
quente para eu estar daquele jeito. Eu não sabia porque eu estava assim. Mas
lembro de pensar que “como eu iria beija-lo com a boca seca daquele jeito”.
Tentava produzir saliva, mas era em vão. Não vinha absolutamente nada. Essa
sensação só foi amenizada quando ele decidiu colocar o seu pênis na minha boca.
Foi como se estivesse me saciando.
O sexo oral foi algo de outro mundo. Sempre tive vontade
de experimentar ver até onde eu conseguia. Senti ele bem fundo. O seu pênis conseguiu me tocar onde nenhum outro homem jamais chegou.
Quando ele prendeu minha cabeça entre suas pernas e
começou a me tocar, cheio de vontade, de um jeito que eu gozei, mas não contei
para ele. Apenas segurei firmemente suas coxas e senti aquele homem, também
através do meu tato. Parecia que saia faísca. Meu corpo se arrepiava toda vez
que o corpo dele tocava o meu.
Ele testou os meus limites e aprendeu sobre mim. Eu
percebi que tinha acontecido algo único na minha vida. Que ele era diferente e
que aquilo tudo não foi apenas uma aventura de uma noite. Se mostraria uma
aventura para uma vida inteira.
Ele abriu a porta do seu mundo para mim. Estendeu sua
mão. Eu segurei nela e entrei de olhos fechados, mas de alma aberta.