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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O primeiro passeio

     Meu Senhor veio me visitar numa quarta-feira escaldante... veio conhecer minha nova morada e quem sabe fazer dela nossa masmorra.  O apartamento não estava mobiliado por completo. Por exemplo, ainda não tinha cama, mesa, cadeiras.... mas era um lugar que eu sempre gostei de morar, bem ajeitadinho.
     Estava quente... muito quente... e meu interfone tocou. Eu já sabia que era meu Dono. Eu já o estava esperando como sua cadelinha, que sou. Corri para atende-lo e ao descer, pensava pra mim mesma: “elevador, ande logo! Meu Senhor não pode ficar esperando”.
     Me enchi de alegria e felicidade ao ver seu rosto parado em frente ao portão do prédio. Abri as portas, como se estivesse me abrindo por inteiro para ele, literalmente. Desejando que ele invadisse não só o espaço que eu uso como moradia, mas que ele fizesse de mim e do meu apartamento a sua morada, um lugar onde pudéssemos viver toda a intensidade e plenitude do nosso sentir.
     À medida que caminhávamos juntos pelo corredor, eu me enchia do sentimento de posse Dele, me sentia entregue, em suas mãos. Ao entrar no apartamento ele se encaixou atrás de mim, falando ao meu ouvido. Sempre que ele faz isso, me marca ainda mais como Dele e somente Dele. Eu sinto me envolver por Ele e é como se a Sua alma pudesse me engolir e fazer assim, eu me tornar parte Dele.
     Ele percebeu a janela da sala aberta e não se importou nenhum pouco com a possibilidade de alguém estar nos vendo (minhas janelas, oferecem visão para alguns lugares, mesmo sendo apartamento de fundos). Ele bateu na minha bunda algumas vezes e a última deixou minha bunda dolorida mais que o habitual, como se fosse o sinal Dele no meu corpo, informando que sou sua posse e que eu nunca devo esquecer isso.
     Ele observou e analisou o apartamento eu fiquei rezando para Ele aprovar o local, para transformar em nosso. Para que ali fosse o lugar onde eu ficaria esperando pelo meu Dono, sempre a sua disposição, a qualquer hora do dia ou da noite.
     Ele me disse que gostou. Respirei aliviada nessa hora e fiquei contente em saber disso. O que me deu mais vontade de mudar o quanto antes para lá. Mas era final de ano. Época complicada de conseguir concretizar algumas coisas, pois muita gente já estava de recesso ou de férias.
     Meu Senhor olha para mim e me diz que faríamos um passeio. Isso foi uma surpresa pra mim. Realmente não esperava por isso. Na verdade, nunca pensei que isso fosse acontecer. Meu Dono é casado e o apartamento fica no centro da cidade, um lugar muito movimentado e com risco Dele encontrar algum conhecido. Fiquei bastante preocupada com isso, mas feliz ao mesmo tempo, pois ele estava se arriscando para estar junto comigo. Isso para mim demonstra o valor que tenho para meu Senhor. Ninguém se arrisca por alguém que não lhe valha nada ou pouco.
     Pra completar Ele me informou que eu teria uma tarefa: ajuda-lo a encontrar um secador de cabelos para a mãe Dele. De pronto fiquei feliz em poder auxilia-lo nessa missão, tanto em buscar um local para comprar, como em escolher um modelo que fosse bom, afinal era para a sua mãe.
     Antes de sairmos, eu entreguei uma cópia de todas as chaves do meu apartamento, que naquele momento também passou a ser Dele. Era a entrega do apartamento e de mim como sua posse. A cada dia que passa eu sou mais e mais sua.
     Fomos caminhar. Eu ficava ao seu lado e por muitas vezes, na sua frente. Realmente me bateu um pavor de alguém nos parar na rua e Ele ter que prestar satisfação. Eu não desejo de forma alguma ser ou trazer qualquer tipo de inconveniente para meu Senhor, por isso comecei a andar ligeiramente a sua frente.
     Teve uma hora em que ele chegou perto de mim e falou que pensou em colocar o plug anal em mim, para darmos aquele passeio. Senti um arrepio instantâneo e um pânico misturado com excitação. Vou explicar o porquê do pânico.
     Meu Senhor tinha me dado uma tarefa certa vez. Que assim que eu chegasse no apartamento, eu colocasse o plug, uma calcinha e andasse pelo apartamento. Uma ordem de meu Senhor sempre será cumprida. Fiz e comecei a sentir arrepios pelo meu corpo. Pensava no meu Dono o tempo todo. Eu não conseguia andar rápido, as sensações não me deixavam. Não demorou muito e quando me dei conta, eu estava caída no chão. Eu estava tremendo, me sentindo com vergonha, pois imaginava meu Dono ali comigo. Eu não consegui ser forte o suficiente. Eu tremia tanto, que quando fui retirar o plug do meu corpo, ele escorregou da minha mão e caiu no chão, fazendo perder sua pedra azul. Foi um misto de vergonha e êxtase. Claro que fiquei toda molhada com o que aconteceu. Entendem agora o meu pânico. Imagina isso acontecendo na rua, em via pública e sem a possibilidade de meu Senhor retirar o plug de mim nessa hora. Na verdade acredito que nem chegarei até a porta do prédio.
     Ajudei meu Dono na escolha do secador. Depois fomos almoçar. Sentamos junto a uma mesinha próximo de uma praça. Conversávamos e ele me falou sobre a mulher que ele estava em contato virtual (aquela que me despertou ciúmes de uma maneira voraz, que quase me consumiu por inteira). Me falou na possibilidade de nos conhecermos, os três. Me perguntou como eu me sentia. Eu fui franca com ele, como sempre sou. Aquele sentimento estava pacificado dentro de mim (pelo menos naquela hora). Eu realmente percebi que se tratava muito mais de uma insegurança minha do que algo relacionado com meu Dono ou com a mulher (mas claro que só fiquei insegura porque os meus sentimento são muito intensos com meu Senhor e eu NUNCA havia sentido isso por ninguém).
     Depois fomos em outra loja, uma loja de música. Meu Senhor toca e canta (e me encanta). Lá na loja me dei conta das coisas boas que esse ano que estava acabando, me proporcionou. A mais importante foi conhecer meu Dono e reconhece-lo como tal. Também estive frente a frente com meu ídolo da adolescência (e da vida toda), num festival de música há alguns meses atrás. Foi a realização de um sonho. Retomei minha auto-estima, que não estava muito legal por conta do meu divórcio (coisa de 2 anos atrás). Eu precisei de um tempo sozinha, pra poder me encontrar e foi somente no início desse ano que eu voltei a ter contato com homens. Então 2017 foi um ano muito bom pra mim e sei que ele será um marco na minha vida.
     Acompanhei meu Senhor até o ponto de ônibus e no fundo desejando que o trajeto fosse mais longe, para poder ficar ainda mais tempo junto dele. Eu pensava que iríamos voltar para o apartamento, mas fiquei só na vontade dessa vez. Eu compreendo que ele não pode dispor de muito tempo ao meu lado, mas isso não impede de eu deseja-lo comigo.
     Na despedida, Ele me deu um abraço forte, como se ele deixasse um pouco Dele dentro de mim. Como se nessa hora, algo de dentro de meu Dono saísse e entrasse dentro da minha alma. Não sei explicar direito, mas isso me conforta e me deixa muito feliz (claro que com uma pontinha de tristeza, por conta da saudade que eu sinto mesmo antes da sua partida). São sentimentos antagônicos – felicidade e tristeza. Será? Começo a achar que eles se completam...

Um comentário:

  1. Depois desse passeio meu Dono conversou comigo e me informou coisas que eu devo corrigir num próximo passeio, como por exemplo, carregar as sacolas e andar a Sua direita e um passo atrás Dele.

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