Eu já não suportava a distância que me separava de meu Dono e o fato disso dificultar nossos encontros. Morávamos em cidades diferentes, que não eram vizinhas e com um trânsito infernal entre elas, tornando impossível transformar minha morada em nossa masmorra (pelo menos, da forma e intensidade como eu imaginava).
Essa distância significava privação de contato com meu Senhor e eu decidi que não seria mais assim. Eu estava disposta a locar um lugar próximo de meu Dono (Ele era simpático a essa ideia, na verdade Ele sugeriu certa vez), só pra poder ficar disponível para Ele.
Pesquisava lugares para locação, mas arcar com o valor do aluguel pesaria bastante no meu orçamento. Resolvi que apertaria com outros gastos meus para me sobrar este valor. Eu estava disposta a seguir em frente com meu plano. Eu sentia isso como uma necessidade dentro de mim e pensava: "vou deixar de gastar com algumas bobagens e gastar com aquilo que realmente é importante pra mim... aquilo que não consigo mais viver sem". Sim, me sentia entregue ao meu Senhor e tendo a certeza de que todo o restante é dispensável em minha vida (claro, sem contar as necessidades básicas de todo ser humano).
Inicialmente, imaginei manter duas casas, pois trabalho na cidade onde morava e também tinha o fato de eu possuir duas cachorrinhas e não me agradava nada a ideia de privá-las de acesso ao pátio. Elas já estavam bem adaptadas com esse estilo de vida e de rotina. Como eu trabalho dez plantões noturnos por mês, eu tinha pensado em me dividir da seguinte maneira durante os trinta dias do mês: 10 noites no trabalho, 10 noites na atual casa e 10 noites na nossa masmorra. Seria um esquema complicado e até certo ponto cansativo (e caro), mas eu não me importava. Eu queria muito isso, desejava com todas as minhas forças e vontade de concretizar isso.
Há pouco menos de dois anos atrás, eu morava na mesma cidade de meu Dono (pois é... foi preciso eu ir pra longe, para gente se encontrar... mas são coisas do destino eu acho... não era pra ter acontecido antes... e olha que Ele me contou que trabalhava na quadra do meu apartamento, enquanto eu ainda morava ali, mas isso é outra história). Só que eu acabei me mudando para a cidade onde eu trabalhava para ficar mais perto do trabalho e também da família. Esse apartamento seria um local mais acessível para meu Dono, mas já estava locado.
Contudo, meu Dono me mandou eu não tomar nenhuma decisão sozinha a respeito desse assunto. Parece que ele já me conhecia. Eu queria logo resolver isso. Eu estava ansiosa demais para ficar junto Dele. Ansiosa por levar as opções de lugares que levantei, para que Ele escolhesse a que mais lhe agradaria. Pois não é que o destino se encarregou mais uma vez de nos dar uma mãozinha. O inquilino do meu antigo apartamento esta devolvendo o imóvel, antes do prazo. Não tenho nem como expressar a imensa alegria que senti na hora, mas o apartamento não era meu, era dos meus pais (apesar de eu ter vivido nele por quase 20 anos da minha vida e meus pais sempre se referirem à ele como meu). Eu ainda teria que conversar com meus pais para voltar para lá e teria que pensar em algo para justificar a minha volta já que eles não sabiam nada a respeito da minha servidão pelo meu Senhor. Minha mãe ficou feliz com meu retorno, meu pai ficou descrente e minha irmã ficou triste. Ela chegou inclusive a dizer que iriam mudar de Estado. Eu sei que ela falou isso como uma tentativa de que eu permanecesse lá, mas infelizmente eu também não tive o convívio que eu esperava com a minha família e o fato de eu retornar à capital não significava que eu os estava abandonando ou algo parecido. Muitas vezes temos parentes/pessoas próximas fisicamente de nós, mas que estão longe emocionalmente... e no final, o que é mais importante? O que tem mais valor para cada um? Uma relação rotineira e vazia ou uma relação esporádica e repleta de sentimentos, sem nenhum tipo de distração quando acontecem os encontros?
Claro, falei com meu Dono a respeito dessa minha ideia de mudança para o antigo apartamento antes de falar com qualquer membro da minha família. Eu realmente não tomo decisões (principalmente as dessa magnitude) sem o consentimento do meu Senhor.
A decisão estava tomada e autorizada. Agora era organizar o andamento dos procedimentos necessários à minha mudança de endereço, mas o final de ano complicava um pouco o "aceleramento" dessas etapas. E é engraçado como cada pessoa percebe o tempo à sua volta. Minha família achou que eu me mudei muito rápido. Eu e meu Senhor, não achamos isso. Pra mim, parecia uma eternidade.
Acabei mandando reformar o meu sofá e já pedi para que entregassem na minha nova moradia. Então nós teríamos a disposição de imediato: uma cozinha, um sofá cama e um banheiro com chuveiro. Eu não precisava de mais nada! Só da presença de meu Dono e que Ele aprovasse o local para ser nosso. E sim, Ele aprovou! Lógico que eu fiquei mega feliz com sua aprovação.
Consegui marcar minha mudança para logo depois do ano novo. Lembro-me de ficar ansiosa demais com a minha ida para o apartamento. Eu já nem conseguia mais dormir direito de tanta vontade dentro de mim de mudar logo. Eu pensava no fato de eu ficar à disposição do meu Dono. Para que Ele viesse me ver na hora em que Ele quisesse. Daí aqui eu paro e penso que a única explicação para tamanha vontade e prazer em servi-lo só pode mesmo ser ao fato da gente já ter vivido isso em outras vidas. Eu sempre me considerei uma pessoa romântica, mas eu sinto algo muito diferente com Ele. Chego a sentir que nós já tivemos essa fase em uma outra vida, pois eu não sinto a menor necessidade de ter uma relação assim com Ele. Parece que esta vida está completando uma vida nossa, que foi incompleta no passado. Além do fato, que o romantismo de outras relações minhas, nem se compara ao que eu sinto com Dom Enriko. Me sinto completa e feliz como nunca em toda esta minha vida. Sei lá... pode até parecer bobagem, mas são esses os sentimentos que eu tenho. E não pensem que pelo fato de eu não sentir a necessidade do romance com o Dono, que não exista paixão. Existe muita! Na verdade o combustível da minha vida é a paixão. Eu faço absolutamente tudo movido à paixão. Por exemplo, sou apaixonada pela minha profissão e sinto que ela é perfeita para mim. Até porque se não fosse, eu procuraria outra coisa pra fazer na vida. Não suportaria acordar todos os dias e não sentir tesão em ir trabalhar. E é assim que eu encaro tudo na minha vida. E também não pense que é paixão "fogo de palha", pois eu me conheço muito bem, quando se refere àquilo que me move.
Chegou a manhã da mudança para o apartamento. Me enchi daquele sentimento de "uma nova fase na minha vida está começando", que toda mudança sempre carrega. Eu nunca tive medo do novo ou de desafios. Isso faz a gente crescer e deixa a gente em movimento. Eu considero essas coisas, boas. Não era uma grande mudança em termos de pertences, mas com certeza era a maior mudança da minha vida - a mais significativa. Apesar de poucos pertences, eu estava indo para poder pertencer... pertencer de uma forma ainda mais intensa à Dom Enriko, o Dono de mim.

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